sábado, 24 de abril de 2010

Espiritualidade

 

A prática de orar em silêncio, de aquietar a alma para meditar na Palavra e de escrever ressonâncias depois que alguém compartilha percepções espirituais, me deixou boquiaberto. Eu acreditava em preces barulhentas. Achava que Deus gostava de decibéis exagerados.

(…)

Passei a desejar uma espiritualidade de afetos. Abandonei o esforço de fazer de minhas orações uma técnica de colocar Deus em movimento. Destruí o altar que eu erguera para acionar o divino. Reaprendi que orar é inspirar ausências. Sem muitos barulhos, colocar a alma numa quietude parecida com a que o sumo sacerdote experimentava ao entrar no Santo dos Santos. Noto que os cultos, as missas, se tornaram agitados. Pergunto-me se o ritmo alucinante das músicas e das danças não são fugas. Na agitação, evita-se o confronto com a interioridade e, consequentemente, com Deus. Agora, só agora, começo a intuir o significado de orar no quarto fechado, em secreto.
Uma oração que não inclua o mundo inteiro apequena Deus e mostra o grau de individualismo de quem ora. Não consigo mais entender Deus como um deus tribal que faz chover e não deixa que gafanhotos destruam plantações. O mundo geme e entendo que as preces precisam ser situadas em relação a todos, inclusive africanos exilados, haitianos sem teto, europeus desiludidos com o materialismo e brasileiros inundados em periferias urbanas. Deus não dispensa suas bênçãos prioritariamente sobre os quem têm olhos azuis. Ele não começa seus castigos pelos mais miseráveis; não abandona milhões à míngua para vitalizar ajuntamentos que enriquecem evangelistas ávidos por fama e riqueza.

(…)

Desejo vivenciar a minha espiritualidade em atos devocionais. Pretendo transformar-me em um adorador que faz do “seguimento” de Jesus a melhor expressão de sua piedade. Liturgias centradas em emocionalismos desmerecem a tradição profética dos dois Testamentos. O melhor culto é defender a justiça. Deus não gosta de ajuntamentos com liturgias autocentradas, que só buscam canalizar o seu favor. O verdadeiro culto disponibiliza pessoas para cuidar de órfãos e de viúvas -- esta é a verdadeira religião, segundo Tiago. Qualquer verticalização do louvor só tem sentido se promover a verticalização do serviço. Espiritualidade é reconhecer Deus no rosto do pobre, do nu, do faminto e do desterrado; tudo o mais é individualismo travestido de piedade.
Anseio por reuniões que celebrem a graça, sem paranoias espirituais, sem alguém tentando infundir culpa para descansar no inescrutável amor de Deus. Quero participar de comunidades leves, sem as afetações próprias do glamour do mundo, onde os sorrisos sejam gratos e os abraços, sinceros. O caminhar de Jesus não combina com lugares espetaculosos. Viver os valores do seu reino prescinde de holofotes”.

 

Ricardo Gondim

Tabela periódica

 

“O conjunto dos costumes de um povo é sempre marcado por um estilo: eles formam sistemas. Estou convencido de estes sistemas não são ilimitadas e que as sociedades humanas, como os indivíduos – e seus jogos, seus sonhos ou seus delírios – não criam jamais de maneira absoluta, mas se limitam a escolher certas combinações em um repertório ideal que seria possível reconstituir. Fazendo o inventário de todos os costumes observados de todos os imaginados nos mitos, evocados nos jogos infantis e adultos, os sonhos dos indivíduos sãos ou doentes e as condutas patológicas, seria possível chegar a constituir uma espécie de tabela periódica como a dos elementos químicos, em que todos os costumes reais ou simplesmente possíveis apareceriam agrupados em famílias e onde nós precisaríamos apenas reconhecer os costumes que as sociedades efetivamente adotaram”

in TRISTES TRÓPICOS, 1955, P.203

Longe de Deus?

1pedro2_24 

Onde está a vida que perdemos vivendo? Onde está a sabedoria que perdemos com o conhecimento? Onde está o conhecimento que perdemos com a informação? Os ciclos do céu em vinte séculos nos levaram para mais longe de Deus e mais próximo do pó.

T. S. Eliot

quinta-feira, 22 de abril de 2010

amigos são olhos

 

My beautiful picture 

Amizade é algo sem interesses, sem terceiras intenções…

Amigos são como nossos olhos…

se movem juntos,

choram juntos

vêem  coisas juntos

estão sempre juntos

(são tão juntos

que dá um trabalho danado

pra se verem frente a frente)

É como se fossem apenas um.

(Nara/Luciane)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Viver não é para amadores

 

desespero

 

Todos vivem em constante tensão. A vida é complexa, muitas vezes, paradoxal e plena de riscos. A vida não é um passeio despretensioso. Cada pessoa é responsável e ao mesmo tempo vítima das circunstâncias. Cada estrada que se escolhe conduz a novas bifurcações e cada decisão gera desdobramentos mil. Os poetas, os místicos e os filósofos já perceberam que se precisa de siso e responsabilidade na imensa e difícil aventura de viver. Cada instante é inédito e exige o máximo de cuidado.

Viver não é para amadores. Cada opção produz ondas, iguais às da pedra jogada no meio de uma lagoa. As decisões, semelhantes a círculos concêntricos, espalham-se e as marolas se dissolvem nas margens do lago. Na vida, porém, as conseqüências dos atos se alastram para sempre. Cada pessoa deve lembrar-se de que não tem o controle das conseqüências de suas escolhas, que repercutirão eternamente. Viver não é para amadores. Os pais infl uenciam os fi lhos, os fi lhos formam famílias e tanto as bondades como as maldades se reproduzirão. Crianças sofrem seqüelas por terem crescido em famílias disfuncionais, muitas oprimidas por mães castradoras, que não conseguem criar os filhos. Se cada pai soubesse a importância da paternidade na formação emocional e nos valores éticos de seus fi lhos, menos pacientes procurariam as clínicas psiquiátricas e menos penitenciárias seriam construídas.

Viver não é para amadores. Sem saber organizar os desejos, a vida pode se perder com projetos irrelevantes; sem dar sentido ao cotidiano, a vida patina no tédio. São necessários princípios, verdades e valores para direcionar a vida. As pressões do dia-a-dia destroem aqueles que não têm força para fazer escolhas responsáveis. Viver não é para amadores. Os indivíduos precisam uns dos outros, mas se arranham mutuamente. O próximo tanto pode ser fonte de alegria, como de frustrações. Quem tenta isolar-se para não passar por decepções, empobrece. Não é possível resguardar-se do amigo sem perder o viço. Só viverá bem quem não considerar o outro um inferno. O céu pertence aos que aprenderam a relevar as inadequações alheias. O longânimo tem chance de ser feliz.

Viver não é para amadores. A existência é imprevisível. Não há como se controlar a história ou situar os eventos futuros em qualquer lógica. Por mais que os religiosos prometam, os fi lósofos pretendam e os sociólogos estudem, a história não obedece aos trilhos do destino. De repente, sempre de repente, chega o improvável e nessa hora, precisa-se de coragem para não desistir. A viagem rumo ao futuro requer brios. Viver não é para amadores. Equilibrar o lazer e dever, ócio e trabalho não é fácil. Muito lazer produz tédio e muito dever, estresse. A preguiça acompanha o ócio e a fadiga o trabalho. O sábio avisou que há tempo para todas as coisas: “tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou, tempo de cozer e tempo de rasgar, tempo de juntar e tempo de espalhar o que se juntou”. Portanto, só vive quem sabe transitar entre esses eventos tão contraditórios.

Viver não é para amadores. Depressão e riso, alegria e tristeza formam a história de cada um. Quem foge da tristeza acaba neurótico e vive em negação, sempre à procura de um mundo de ilusões. Quem não sabe rir termina inclemente; em busca de gente para povoar o seu purgatório.

Viver não é para amadores. O sofrimento do mundo é grande demais para ser evitado. Contudo, é preciso ter alegria para celebrar aniversários, casamentos e formaturas. Os que se blindam contra a dor universal podem se tornar cínicos; por outro lado, os que se martirizam, arriscam-se a serem inconseqüentes.

Viver não é para amadores. O tempo passa velozmente, carregando tudo e todos. A humanidade se angustia com a areia da ampulheta e com o pêndulo do relógio que não cessam de avisar que os dias do calendário são escassos. Alguns não percebem que jogam a vida fora com melindres bobos e com vaidades e megalomanias onipotentes. Eternizar cada instante se constitui o segredo da felicidade.

Viver, definitivamente, não é para amadores, portanto, “se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.” Que ninguém se atreva a querer levar a vida só.

 

Ricardo Gondim

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O amor nos tempos de Narciso

 

O amor fascina...

Ainda que o discurso da ciência e da política reserve à vida amorosa o espaço da norma e da ordem, na clandestinidade, o amor (e seus prazeres e ciladas) sobrevive intensamente nos entremeios dos lugares das responsabilidades sociais, depois (ou antes) dos estudos, da carreira profissional, da conquista de bens e da reprodução da família. O desejo amoroso se espalha e contamina qualquer ambiente, dando-lhe contornos eróticos ou amorosos – amizades, parcerias, paqueras, casos, namoros. O amor transborda os limites da vida privada e desliza nos interstícios da vida pública, com registro semelhante ao da sexualidade (Foucault, 1985), no seu sentido mais amplo: é parte essencial da vida humana, mas atua nos seus bastidores, nem por isso com pouca influência, ao contrário, com força intensa, poderosa, mas dissimulada.

Estamos nos referindo ao amor sensível e temporal, que para os filósofos e teólogos é o chamado amor cupiditas, uma forma de amor, durante séculos, considerada menor em relação ao amor caritas, eterno e acima das paixões terrenas.

Desde a Modernidade, o amor cupiditas passou a ser a expressão máxima da realização pessoal. Alicerce da felicidade individual e seus derivados: cumplicidade, parceria, segurança afetiva, solidariedade, constituição da família, prazer sexual acrescido de carinho e sentimento. Sua ascensão no mundo moderno, em parte, se deve ao que passou a ser o homem comum no mundo capitalista: força de trabalho e agente de consumo. À margem da racionalidade, que determina o pensamento dessa época, as emoções e sentimentos, sobrou o endereço particular das relações amorosas para o indivíduo experimentar sua natureza humana sensível (Costa, 1998).

Esse amor, também chamado de amor romântico, surge na história da humanidade como um produto cultural do retraimento do homem comum da malha social mais ampla. Em visão panorâmica, o amor romântico aparece como fenômeno social, junto com o individualismo, no conjunto de estratégias de organização da sociedade capitalista (Foucault,1986). No espaço individual da produção da subjetividade, os processos do amor tornam-se fundamentais para a formação e manutenção da identidade (Costa, 1998).

O amor no divã

Na vida íntima das pessoas, o amor (ou sua falta) dirige escolhas, caminhos, tece destinos, faz a saúde, ou a consome. Freud dizia que a saúde é assegurada pela capacidade para o amor e o trabalho...

Para a Psicanálise (Freud, 1914), o amor é sentimento e ação de investimento de energia psíquica (libido) sobre um objeto. A ligação da libido com o objeto participa de (pelo menos) dois processos essenciais no psiquismo: a satisfação parcial do desejo (por exemplo, no prazer erótico do encontro sexual) e o contínuo trabalho psíquico de lapidação do eu na relação com o outro. O amor é fonte de prazer e alicerce da construção permanente da identidade. O seu fracasso pesa sobre essas duas condições básicas para o bem-estar psíquico humano.

Vejamos de perto... Desde o início da vida, o eu se constrói e se sustenta na relação com o outro que também é "criado" nessa relação (Green, 1988; Freud, 1914). Na fase do desenvolvimento psicossexual, que Freud chamou de narcisismo primário, o eu e o outro se constroem numa relação de espelhamento. O objeto amado é visto à imagem do eu e valorizado pela semelhança, no tipo de ligação amorosa chamada narcísica. Em um ambiente seguro e amoroso, na convivência com o adulto que cuida, alimenta e protege, a criança começa a perceber o outro como diferente e passa a sustentar seu valor não mais na semelhança, mas na relação intersubjetiva, no tipo de ligação amorosa chamada anaclítica. Os dois modos de amar se mantêm funcionais ao longo da vida, não havendo uma separação precisa e rígida entre um e outro, mas diferentes gradientes, tendências e inclinações.

De certa forma, toda escolha apaixonada de objeto de amor revela uma captura narcísica (Freud,1914) – inconscientemente, vejo no outro o que eu sou, o que eu fui, o que eu gostaria de ser ou o que eu gostaria de possuir. Quem nunca encontrou, alguma vez na vida, aquela pessoa perfeita que faz o coração pular de alegria?

No desapaixonamento, com a queda dos ideais narcísicos projetados, o valor do objeto pode desabar. Quem nunca descobriu, algum tempo depois, que aquela pulsação toda não era mais que uma disritmia passageira?

A relação amorosa permanece depois de decantar a paixão, quando o eu consegue transpor o estado narcísico para o estado da alteridade e reconhecer no outro alguém para amar. Ou seja, o eu, suficientemente constituído e seguro da sua capacidade de transitar pelo campo relacional formado por subjetividades diferentes, consegue sustentar a relação com o outro e ainda se enriquecer pelo compartilhamento de idéias, afetos e experiências novas.

A constituição desse eu competente para o encontro intersubjetivo ocorre a partir da relação mãe-bebê (Winnicott, 1993) e, durante a vida, permanece em equilíbrio dinâmico com o ambiente cultural e as referências com as quais o eu mantém diálogo e espelhamento. O narcisismo é uma fase normal do desenvolvimento psíquico, fundamental para a constituição do eu e do lugar do outro em nossas vidas. As dificuldades no relacionamento intersubjetivo ocorrem quando, por algum motivo, a saída dessa fase fica comprometida ou, na vida adulta, o retorno a ela encapsula o eu em si mesmo, caracterizando um modo de subjetividade na qual não há legítimo valor e interesse pelo outro.

A experiência do encontro intersubjetivo e, mais ainda, do encontro amoroso, desejado e sonhado em verso e prosa, letra e música, depende de uma subjetividade construída nas bases de um eu que passou pela fase do narcisismo primário, dele saiu competente para a experiência da alteridade, e que se mantém e se reforça durante a vida em uma cultura que lhe ofereça modelos de sustentação da intersubjetividade.

Nos tempos atuais, é cada vez mais freqüente o sentimento e a queixa de dificuldades de relacionamento na vida das pessoas. Imaginando que por sorte, ou simplesmente por uma "certa normalidade" na infância, o sujeito tenha se desenvolvido bem, perguntamos: por que é tão difícil realizar o encontro amoroso?

A cultura da solidão

A cultura contemporânea, também chamada de Cultura Narcísica, Somática ou do Espetáculo (Costa, 2004), reproduz conceitos e práticas que não sustentam a alteridade, e constantemente devolvem o sujeito para o miolo de si mesmo quando este procura referências fora de si, na experiência coletiva. É por esta vereda que agora vamos deixar seguir nossas reflexões neste estudo.

Os tempos atuais a que nos referimos correspondem ao período que se inicia por volta da década de 30 do século XX até os dias de hoje, que, para alguns autores, é chamado de Época da Pós-modernidade (Lyotard, 2002; Anderson, 1999), e, para outros, Época Hipermoderna ou Supermoderna (Augé, 2005; Lipovetsky, 2004).

Para eles, a condição pós-moderna, ou hipermoderna, é fruto do desenvolvimento do capitalismo multinacional e dos fenômenos da globalização. Sua base material é a globalização econômica, a lógica do mercado e o neoliberalismo que solaparam os ideais utópicos, políticos, éticos e estéticos da Modernidade.

O antropólogo Marc Augé (Augé, 2005) diz que a principal característica dos tempos atuais não é o fim da modernidade, mas o excesso, a hipertrofia e a deformação, particularmente em três dimensões: o tempo, o espaço e o eu. A figura do excesso do eu surge do fracasso das grandes narrativas ideológicas que davam sentido ao coletivo humano. Na sua falta, faz-se necessário a produção individual de sentido para a existência. As pessoas, descrentes da política e das idéias revolucionárias que prometiam um mundo melhor, não se vêem mais como pertencentes a grandes coletivos sociais, mas sim a identidades particulares. A atuação na esfera pública não diz respeito às lutas de classe, mas, no máximo, às lutas pelos interesses de grupos (sexuais, raciais, culturais, religiosos etc), estando cada um mais voltado para si mesmo. O individualismo, que nasceu com o modernismo, na contemporaneidade faz sua apoteose narcísica (Costa, 2004).

Na falta de referências culturais que legitimem a experiência com o outro, enquanto diferente e desejável, o eu tem a si mesmo como objeto de amor e de sustentação da sua identidade. No estilo "Amar bastante a mim mesmo de modo a não precisar que ninguém me faça feliz" (Badinter apud Costa, 1998, p.143), vivemos em um mundo onde o encontro amoroso fracassa antes mesmo de se insinuar como tal porque as relações intersubjetivas estão em ruínas.

Na vida cotidiana, as pessoas se agrupam para trabalhar, para estudar, para ganhar dinheiro, para se divertir, para "ficar". Mas, é o estar junto fisicamente que realiza o encontro intersubjetivo? Por exemplo, observemos pessoas em grupo, em um espaço público, um restaurante ou uma festa: falam demais, gesticulam, ocupam todo o espaço possível com uma presença ruidosa. Se prestarmos atenção, veremos que a maioria não escuta umas às outras, exceto o mínimo necessário para abrir espaço para a sua própria fala. Falta interesse legítimo pelo universo alheio. Falta disposição interna para escutar, refletir, construir junto um pensamento compartilhado, produto de um encontro. No cenário público, é cada vez mais freqüente o comportamento teatral, mais precisamente, televisivo. As pessoas agem como se fossem personagens de uma história que está sendo filmada – e não raramente estão mesmo sob as lentes de alguma câmera do sistema de segurança eletrônico – e deixam exibir, na tela, a satisfação por aparecerem na TV, mesmo que em situações constrangedoras ou dolorosas.

O comportamento narcísico, que podemos ver em diversos cenários da vida pública e privada, ganha destaque nos meios de comunicação. Há pouco tempo, uma revista de grande circulação trazia matéria sobre as mulheres mais belas de São Paulo. No meio das declarações sobre segredos de beleza ou idéias a respeito de ser bela, encontramos uma pérola: uma das entrevistadas declarava que se não fosse bela, seria cantora lírica! Indignada, na semana seguinte, uma leitora respondeu que se tratava de um absurdo, porque havia (e citava nomes) cantoras líricas muito bonitas também! Não fosse cômico o duelo das duas titãs dos nossos tempos de Narciso, seria deprimente a exposição pública de um olhar e um pensar tão incapaz de ir além da aparência. Esse exemplo mostra também uma importante mudança do modo subjetivo do homem atual em relação ao homem moderno, a mudança da primazia do sentimento/pensamento para a sensação/corporeidade (Costa, 1998). As identidades no mundo contemporâneo se sustentam mais pelas imagens do que pela reflexão, mais pelo consumo que pelo cultivo.

O outro é colocado no papel de mero espectador, com a função de assistir a cena do eu, protagonista principal (seja lá do que for), admirar a sua "beleza" e, assim, proporcionar a ele o prazer da exibição. Ou então o outro é tratado como um dos bens de consumo do eu, com os quais ele sustenta sua identidade na linha do "você é o que você consome".

O amor e o sexo não escaparam ao princípio consumista do mais querer, que produz o rápido esgotamento do que se tem. Acumulam-se casos e histórias como se acumulam coisas. E deles se descarta do mesmo jeito. Nessa lógica, é estimulado o exercício do sexo (seguro e em grande quantidade), com muita diversificação não só de parceiros, como de técnicas, acessórios e cenários. Subtrai-se o encontro amoroso e multiplica-se a ginástica sexual.

Em um mundo de pessoas voltadas para si mesmas, encantadas consigo mesmas, hipocondríacas, obcecadas por seus corpos e mergulhadas na fantasia do prazer constante, o amor é um sentimento fraco, de uma ligação frouxa com o outro. Não importa se é o outro simbólico, da ligação amorosa anaclítica, ou o outro especular, da ligação amorosa narcísica, porque, no primeiro caso, não se tolera a diferença, e, no segundo, a miragem rapidamente desvanece quando se percebe o engano. O modo de subjetivação que não transpõe o narcisismo no encontro intersubjetivo e, mais ainda, no encontro amoroso, tem marca registrada, nos tempos atuais.

A queixa comum é o sentir-se só, mesmo que acompanhado. Homens e mulheres se ressentem do egoísmo e da superficialidade nos relacionamentos. Para ambos, o amor romântico continua atraente e sucesso garantido nas novelas: idealizado, puro e completo. Se, na versão dos tempos modernos, significava desafio e esforço para o crescimento dos parceiros, nos tempos de Narciso é o amor perfeito, mágico, raro e, no mais das vezes, natimorto. No modo subjetivo contemporâneo, o encontro amoroso fica na fantasia: para ele se enfeita, a ele se exibem bens, nele não se entrega, dele se retrai desiludido. Afinal, se o amor de "boa qualidade", o "amor de verdade", não acontece rápido e fácil (como querem os tempos atuais), então, melhor ficar só. A solidão, que também é um estado psíquico necessário em muitos momentos da vida, neste caso torna-se um ideal de ser. O ser só, que se apóia no ideal de auto-suficiência (Birman, 2001), onipotente na ilusão de não precisar de ninguém além de si mesmo, adquire grande valor social entre nós.

O encapsulamento é um recurso de proteção contra o incômodo, a decepção, e o custo da relação intersubjetiva, que requer o exercício da tolerância, da reflexão, do diálogo, da autocrítica e do esforço para mudar... (que, só de pensar, dá canseira, imagine pôr em prática!).

Não que o legado do amor romântico moderno (Costa, 1998) seja algo a se preservar enquanto tal. O amor romântico fala de um encontro amoroso profundo até a raiz da alma, incompatível com a realidade da vida conjugal comum. Na prática, acaba fazendo a frustração das pessoas que querem alcançar êxito numa fórmula amorosa tão ideal quanto impossível... Mas, incrustar-se em si mesmo e manter a relação afetiva reduzida à superfície do contato psíquico, esperando que o fim da noite separe quem se encontra a seu lado na mesma cama - da qual se levanta com a legítima sensação de ter dormido com uma pessoa estranha, ou até inimiga -, não parece ser uma solução melhor.

Amar dá trabalho. E o ganho pode parecer pouco – especialmente quando se vive em um mundo como o nosso, que nos cobra a busca por um fictício estado prazeroso ininterrupto. O ganho, que não está previsto nessa conta que soma êxtases, é aquele que não se percebe de imediato: as transformações do eu na experiência da intersubjetividade. Como dito anteriormente, o eu não é um produto pronto e acabado na saída da primeira infância. O eu passa a vida se fazendo e refazendo nas relações com o mundo. A falta de relações intersubjetivas autênticas impossibilita experiências de vida que são imprescindíveis para a felicidade do eu. Ou seja, não nos bastamos, mesmo quando acreditamos que é melhor não gostar de ninguém para evitar sofrimento. Evitamos as dores de amores pelo outro e afundamos nas dores do vazio de si mesmo.

Claro que cada um de nós tem direito a escolher com qual dos males pretende levar sua existência. Parece que, atualmente, a segunda opção tem conquistado mais adeptos.

Amor, impossível amor...

Mário de Andrade definiu para sempre: amar é verbo intransitivo.

O amor atrai pela promessa do bem, mas cutuca uma ferida narcísica: expõe nossa carência, nossa falta em sermos completos como gostaríamos. Quando amamos, sofremos porque vemos no outro tudo o que nos falta e queremos. Sofremos porque temos medo de que o outro goste menos de nós e nos abandone, levando consigo uma parte nossa que nos desabita. Se não amamos, sofremos porque não temos com quem compartilhar o que temos. Se não somos amados, não adianta ter o que compartilhar. Goethe (2000, p.112) diz: "Ah, ninguém me poderá dar o amor, a alegria, o calor e o prazer, se tudo isso não estiver dentro de mim mesmo, e com um coração repleto de felicidade não poderei fazer feliz a outrem, se ele permanecer frio e sem forças diante de mim".

O amor nunca é calmo, manso e sereno, justamente porque se realiza na intersubjetividade, espaço de encontro e desencontro de esperanças e desejos.

Diante da dificuldade dos encontros intersubjetivos e, mais precisamente, dos amorosos - nos quais, de fato, duas pessoas se permitem conhecer uma à outra, se interessar de verdade por universos pessoais distintos, dos quais possam emergir deixando lá algo de si, trazendo cá algo do outro -, fica uma questão e um desafio. Se os valores da nossa cultura atual estão na base dessa contínua construção/ reconstrução de sujeitos superficiais e enfraquecidos, sem a verve necessária para esse experimento humano essencial e profundo, como plantar em si "o amor, a alegria, o calor e o prazer" e experimentar a arte de amar?

Será que, diante do que temos, precisaremos nos contentar com o final "enfim só", depois do shopping, da pizza com coca-cola na frente do computador ou do plasma da TV, e um comprimido de antidepressivo, duas vezes ao dia?

Izabel Cristina Rios

 

RESUMO

O presente artigo discute a dificuldade do encontro amoroso nos tempos atuais. Parte da leitura psicanalítica sobre as origens dos modos de amar na fase do desenvolvimento psicossexual chamada narcisismo primário, na qual o eu e o outro se constroem dentro de um contexto cultural. Ao longo da vida, a identidade continua sendo modelada pela interação do eu com o mundo em que vive. Do estudo de alguns aspectos do mundo atual, desenvolve a idéia de que a cultura contemporânea apresenta valores e modelos que não sustentam as relações intersubjetivas porque estimulam o modo narcísico de subjetivação. Valores como individualismo, consumismo, culto ao corpo e à imagem, produzem comportamentos que revelam a supremacia do eu. No mundo atual, cada um está voltado para si mesmo, e o outro, como alguém diferente do eu, não é desejável. Essa posição subjetiva impede o autêntico encontro amoroso e sua sobrevivência.

Palavras-chave: Amor. Narcisismo. Subjetividade. Psicanálise. Cultura.

Referências

ANDERSON, P. As origens da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.         [ Links ]

AUGÉ, M. Não lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. Campinas: Papirus, 2005.         [ Links ]

BIRMAN, J. Mal-estar na atualidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.         [ Links ]

COSTA, J.F. O vestígio e a aura: corpo e consumismo na moral do espetáculo. Rio de Janeiro: Garamond, 2004.         [ Links ]

______. Sem fraude, nem favor: sobre o amor romântico. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.         [ Links ]

FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1986.         [ Links ]

______. História da sexualidade I. Rio de Janeiro: Graal, 1985.         [ Links ]

FREUD, S. Introdução ao narcisismo. Rio de Janeiro: Imago, 1914. (Edição Standard Brasileira, v.14).         [ Links ]

GOETHE, J.W. Os sofrimentos do jovem Werther. São Paulo: Martins Fontes, 2000.         [ Links ]

GREEN, A. Narcisismo de vida, narcisismo de morte. São Paulo: Escuta, 1998.         [ Links ]

LIPOVETSKY, G. Os tempos hipermodernos. São Paulo: Barcarolla, 2004.         [ Links ]

LYOTARD, J.F. A condição pós-moderna. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 2002.         [ Links ]

WINNICOTT, D.W. Da pediatria à psicanálise. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1993.         [ Links ]

Ano Novo Sempre

 

Que essa experiência recente de morte-ressurreição marcada pelos fogos de um novo ano, onde cada pedacinho de vida é tocado por um pedacinho de morte seja uma ocasião mágica sem data de validade. Porque essa vida está sempre ligada à noção de tempo. O tempo que foi, que já não temos mais e nunca mais voltará. O que fizemos, fizemos, o que não fizemos talvez ainda tenhamos chance de fazer. O tempo terá sempre o seu próprio tempo. Não podemos acelerá-lo nem atrasa-lo. Nem sempre as coisas que queremos vem no tempo que esperamos. Mas esperamos, continuamos esperando, pois o tempo é a tardança daquilo que se espera. Nesse novo dia pense no momento que ainda não chegou, mas pense na era que ainda virá - o tempo mais esfuziante, libertador e cheio de esperanças de nossas vidas - o agora, o que Deus nos dá hoje.

Os Estatutos do Homem

                            

                          

                                      Artigo I.
                                Fica decretado que agora vale a verdade.
                                Agora vale a vida,
                                e de mãos dadas,
                                marcharemos todos pela vida verdadeira.

 

                                Artigo II.
                                Fica decretado que todos os dias da semana,
                                inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
                                têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

 

                                Artigo III.
                                Fica decretado que, a partir deste instante,
                                haverá girassóis em todas as janelas,
                                que os girassóis terão direito
                                a abrir-se dentro da sombra;
                                e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
                                abertas para o verde onde cresce a esperança.

 

                                Artigo IV.
                                Fica decretado que o homem
                                não precisará nunca mais
                                duvidar do homem.
                                Que o homem confiará no homem
                                como a palmeira confia no vento,
                                como o vento confia no ar,
                                como o ar confia no campo azul do céu.

 

                                        Parágrafo único:
                                        O homem, confiará no homem
                                        como um menino confia em outro menino.

 

                                Artigo V.
                                Fica decretado que os homens
                                estão livres do jugo da mentira.
                                Nunca mais será preciso usar
                                a couraça do silêncio
                                nem a armadura de palavras.
                                O homem se sentará à mesa
                                com seu olhar limpo
                                porque a verdade passará a ser servida
                                antes da sobremesa.

 

                                Artigo VI.
                                Fica estabelecida, durante dez séculos,
                                a prática sonhada pelo profeta Isaías,
                                e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
                                e a comida de ambos terá o mesmo
                                gosto de aurora.

 

                                Artigo VII.
                                Por decreto irrevogável fica estabelecido
                                o reinado permanente da justiça e da claridade,
                                e a alegria será uma bandeira generosa
                                para sempre desfraldada na alma do povo.

 

                                Artigo VIII.
                                Fica decretado que a maior dor
                                sempre foi e será sempre
                                não poder dar-se amor a quem se ama
                                e saber que é a água
                                que dá à planta o milagre da flor.

 

                                Artigo IX.
                                Fica permitido que o pão de cada dia
                                tenha no homem o sinal de seu suor.
                                Mas que sobretudo tenha
                                sempre o quente sabor da ternura.

 

                                Artigo X.
                                Fica permitido a qualquer  pessoa,
                                qualquer hora da vida,
                                uso do traje branco.

 

                                Artigo XI.
                                Fica decretado, por definição,
                                que o homem é um animal que ama
                                e que por isso é belo,
                                muito mais belo que a estrela da manhã.

 

                                Artigo XII.
                                Decreta-se que nada será obrigado
                                nem proibido,
                                tudo será permitido,
                                inclusive brincar com os rinocerontes
                                e caminhar pelas tardes
                                com uma imensa begônia na lapela.

                                        Parágrafo único:
                                        Só uma coisa fica proibida:
                                        amar sem amor.

 

                                Artigo XIII.
                                Fica decretado que o dinheiro
                                não poderá nunca mais comprar
                                o sol das manhãs vindouras.
                                Expulso do grande baú do medo,
                                o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
                                para defender o direito de cantar
                                e a festa do dia que chegou.

 

                                Artigo Final.
                                Fica proibido o uso da palavra liberdade,
                                a qual será suprimida dos dicionários
                                e do pântano enganoso das bocas.
                                A partir deste instante
                                a liberdade será algo vivo e transparente
                                como um fogo ou um rio,
                                e a sua morada será sempre
                                o coração do homem.

                                      

                                            Thiago de Mello

                                           Santiago do Chile, abril de 1964

Uma semana – Dia 6

is

Se sete é o número da perfeição, seis é uma parte desse número. Deus (1) somado ao homem (6) formam a perfeição, a excelência. Mas, deixemos as coisas perfeitas de lado. Continuamos homens e se erramos, se falhamos, é porque nossa natureza tem essa característica.

 

“A História relevante - a que Deus escreve, e não o homem - é escrita nas tábuas da eternidade, não com grafite, que some com o tempo e que pode ser apagada, mas com pontas de diamante.
Deus é o único que pode transformar seres humanos de grafite em pontas de diamante, para Seu próprio uso. As pressões insuportáveis e o calor aos quais somos submetidos durante as inevitáveis provações da vida mexem com a nossa estrutura, transformando-nos em instrumentos/agentes da História que Deus escreve, mesmo que os homens não a leiam.
A cada dia, Deus está providenciando pontas de diamante, aqui, ali e em todos os lugares, para escrever a Sua História. A eternidade mostrará os preciosos diamantes que Ele obteve ao fazer passar frágeis e impuros cacos de grafite pela Sua divina forja.”(não descobri quem escreveu.)

 

Ei, grafite, quando você pensar em tudo que marca a sua humanidade, lembre-se que com Deus poderemos ser diamantes perfeitos um dia, viu?

Uma semana – Dia 5

 

Cinco. Número da trindade (3) somado ao amor, ao diálogo, à comunicação (2). É a Terra (4) mais Deus(1). Dizem que cinco é o número de Cristo, como nosso alimento representado nos cinco pães. E até ele teve alguém para ajudá-lo, carregando a cruz.

 

“Nós podemos ter o privilégio de termos alguém para nos ajudar com a cruz, podemos cometer a loucura de rejeitá-lo, mas não nos é dada a possibilidade de escolher nosso Cireneu. Precisamos reconhecer as pessoas que Deus coloca em nosso caminho e recebê-los como ajudadores.

O fato de Jesus precisar de ajuda para carregar sua cruz demonstra uma característica que a Igreja deixou de observar: a humanidade de Cristo. O Cristo de Deus estava no limite de suas forças. Tendo aberto mão de sua onipotência para se tornar semelhante a nós, agora o Deus Todo-Poderoso não podia carregar a sua própria cruz.” (Ronado Perini)

 

Ei, sei que sou “péssima”, mas obrigada por ser um pouco meu Cirineu.

Uma semana – Dia 3

 

Três é repetição, ênfase.

3 mundos.

3 poderes.

3 reis magos.

3 pessoas na trindade divina.

3 cruzes.

Trindade humana: imagem e semelhança…

Insista nas pessoas.

Deus as amou de maneira indescritivel e incessante…

 

 

“Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo.
Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro.
Seja gentil, assim mesmo.
Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.
Se você é honesto e franco as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto assim mesmo.
O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.
Se você tem paz, é feliz, as pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo.
Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo.
Veja você, que no final das contas, é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e as pessoas.” (Madre Tereza de Calcutá)

 

Tudo isso exatamente, porque Deus amou...

Uma semana – Dia 2

 

“É melhor é serem dois do que um”, já disse Deus.

Dois é o número par. Dialoga. Se completa.

Como uma ponte...conforme Lena Aranha:

 

“sobre o riacho sereno
a silenciosa ponte fala
de histórias compartilhadas”

 

Porque, com certeza sua vida é assim: um conjunto de histórias compartilhadas. O seu conjunto único e especial. As experiências, mesmo compartilhadas, são só suas e são com elas que Deus o torna cada dia mais lindo.

Uma semana – Dia 1

 

O PRIMEIRO DIA

da sua segunda vida.

Porque a primeira começou quando você foi gerado pelo

primeiro de tudo e todos, Deus, de uma vez para sempre.

Mais do que gerado, é o fato de ser amado por Ele, incondicionalmente. Substituído por Ele, por e com amor.

Ele nos tirou do mercado de escravos sendo servo de Seu incomensurável amor. E fico feliz porque você se mantém livre.

Seu nome na pedrinha branca será outro, mas, que iluminado nome você tem!!!

 

 

Vive tudo hoje porque...

Ontem?... Isso faz tanto tempo!...

O ontem ficou pra trás...

Amanhã?... Não nos cabe saber...

Amanhã pode ser muito tarde

Para você dizer que ama,

Para você dizer que perdoa,

Para você dizer que desculpa,

Para você dizer que quer tentar de novo...

Amanhã pode ser muito tarde

Para você pedir perdão,

Para você dizer:

- Desculpe-me, o erro foi meu!...

O seu amor, amanhã, pode já ser inútil;

O seu perdão, amanhã, pode já não ser preciso;

A sua volta, amanhã, pode já não ser esperada;

A sua carta, amanhã, pode já não ser lida;

O seu carinho, amanhã, pode já não ser mais necessário;

O seu abraço, amanhã, pode já não encontrar outros braços...

Não deixe para amanhã

O seu sorriso,

O seu abraço,

O seu carinho,

O seu trabalho,

O seu sonho,

A sua ajuda...

Não deixe para amanhã para perguntar:

- Por que você está triste?

- O que há com você?

- Cadê o seu sorriso?

- Ainda tenho chance?...

- Por que não começamos de novo?

- Estou com você. Sabe que pode contar comigo?

- Cadê os seus sonhos? Onde está a sua garra?...

Amanhã, o seu amor pode não ser preciso;

O seu carinho pode não ser mais preciso;

O seu amor pode ter encontrado outro amor;

O seu presente pode chegar muito tarde;

O seu reconhecimento pode não ser recebido com o mesmo

entusiasmo!...

 

 

Seja hoje uma extensão de Deus na vida das pessoas, como tem sido na minha.

Uma semana – Dia 4

 

Quatro, quadrado, completo. Os quatro ventos, os quatro rios. Quatro representa plenitude e a universalidade. As estações são quatro. No mês, temos quatro semanas. São quatro os principais elementos da natureza, como o crente quadrado, no capítulo quarenta de Jeremias, como escreve Eude Carvalho da Rocha:


Há tempo de ruínas.
Nas ruínas, também vemos o que nunca será arruinado.

Com as ruínas, tudo é destruído, havendo uma esta belíssima exceção:
a coragem de permanecer no lugar de ruínas.

Ele teve a oficial oportunidade de sair do lugar de ruínas.
Ele poderia escolher qualquer outro lugar.
Ele teria acompanhamento até ao destino escolhido.

Permaneceu por amor ao povo terrivelmente arruinado.
Permaneceu por amor ao povo profundamente envergonhado.
Permaneceu por amor ao povo incontestavelmente desamparado.

Permaneceu com um povo que não permaneceu com ele...

Depois de ser considerado um traidor;
Depois de ser considerado tão "intragável";
Depois de amaldiçoar o seu nascimento; depois da prisão;
Depois de tantas coisas depois;

O profeta permaneceu com o restante mais pobre de Israel.
Jeremias, capítulo 40, nos constrange...

As ruínas do nosso povo, podem ser sinais que somos mercenários
Ou são admiráveis ocasiões para vivermos as marcas do Bom Pastor,
Que dá a sua vida pelas ovelhas (Jo 10.11-15).

Jeremias, capítulo 40, sendo lido numa época em que a religião

também esta a serviço do comércio desenfreado da fé(2 Pe 2.3),

é a ruína da nossa ilusão que amamos o povo de Deus.

Caso contrário, vamos demonstrar este amor, permanecendo em lugares
arruinados com vidas arruinadas...

O homem que eu amo

 

Eu amo sim vários homens de muitas maneiras.

Pais, amigos, irmãos, amantes, filhos...

É bom ouvi-los, senti-los, chorar, sorrir, crescer com eles.

O homem-homem que eu amo, porém é indiferente.

Sem sorrisos, sem preocupações, sem contato.

Porém nem sempre foi assim.

Lembro de um homem companheiro,

Sonhando alguns sonhos juntos...

Mas o que aconteceu?

O que nos fez ser insuportáveis ao outro?

Mistérios não revelados. Fatos escondidos que trazem sofrimento...

Não sei onde errei... não sei onde erramos...

O certo é que não consigo sozinha reparar o que quer que seja.

Ah... como queria odiá-lo! Como quero apagá-lo!

Vou apagá-lo sofregamente

Num drama que quero transformar em comédia

e depois em poeira,

como se assiste a um novo filme mais interessante que o primeiro.

Uso todo o meu livre arbítrio nessa tentativa e lamento.

Lamento ter que ser assim...sem a luz dos olhos...

Sem o murmúrio das palavras...

Distante.

Sinapses

 

Nada agora é mais importante do que o que está ocorrendo internamente, nos bastidores, no silêncio da alma, no escuro da noite...

Calcule quanto tempo e criatividade você despendeu nos últimos meses, tentando descobrir sínteses originais no trabalho. Não apenas executar a tarefa, mas descobrir algo nela que o entusiasme, que o leve adiante, pode ser tão trabalhoso e difícil! Mas sem isso, como seguir?