segunda-feira, 26 de julho de 2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Dever do Dia


Two_Types_Of_Dream_by_desEXign-full 

Pára de lutar, queixar, acusar,
buscar razões, soluções,
em mil caminhos
que vão chegar ao nada,
como uma porta fechada
ao fim do corredor de cada tentativa.
Pára de buscar alternativas,
procurar explicações.
“Deixa o assunto com o Pai”,
que tem a força e a sabedoria
e confiante vai
fazer o teu “dever do dia”.
Levanta os olhos até onde
o olhar alcança
e vê quanta falta de paz e esperança:
campo branco a esperar por ti.
Começa por aqui. Ao teu redor
há um mundo de oportunidades.

Myrtes Matias

A hora do cansaço

 

au

Não fui convidada para participar da festa do mundo.
Ou cheguei atrasada,
já depois que caíram as maquiagens
e desgrenharam-se os cabelos
e estou eu,
diante do quadro de criaturas de alegria embaçada,
de cabelo feito e a pintura viva na face magoada.
O chão está lavado de risos esparsos:
feitos de suor e taças partidas.
O ar, onde reina o cheiro pesado do torpor alcoólico,
traz, no seu caminhar sem brisa,
os rastros da festa como seu eco.
E estou eu, a festa finda,
com uma alegria corcunda imitando asas

Lívia Natalia

sábado, 17 de julho de 2010

Super-heróis

 

AAA

Todo Don Diego se esconde atrás de um Zorro

Todo Super Homem teme sua kryptonita

Todo poder vem acompanhado de uma grande responsabilidade

Todo  Demolidor tenta enxergar além de seus próprios olhos

Todo X-Men nasceu humano

Toda Mulher Invisível convive no seu Quarteto Fantástico

Toda história em quadrinhos tem fim

Nós, cúmplices, o que …?

sábado, 10 de julho de 2010

O NASCIMENTO DO PRAZER (trecho)

O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós.

Clarice Lispector

Não quero ser o último a comer-te


Não quero ser o último a comer-te.

Se em tempo não ousei, agora é tarde.

Nem sopra a flama antiga nem beber-te

aplacaria sede que não arde

em minha boca seca de querer-te,

de desejar-te tanto e sem alarde,

fome que não sofria padecer-te

assim pasto de tantos, e eu covarde

a esperar que limpasses toda a gala

que por teu corpo e alma ainda resvala,

e chegasses, intata, renascida,

para travar comigo a luta extrema

que fizesse de toda a nossa vida

um chamejante, universal poema.

Drummond