domingo, 24 de outubro de 2010

Grilhões suaves

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nessa coisa de aprisionar
a gente acaba prisioneiro.

Companhia virtual

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num dá pra abraçar

nem cheirar

nem beijar

num dá pra amar

de longe muito tempo

ou… será?

Em todos os sentidos

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Presente.

Presente-objeto.

Presente-tempo.

Presente-presença.

Presente.

Sobre listas

 

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Para burlar a ansiedade cotidiana

e evitar um curto-circuito

faço listas.

Vai além da organização

aos detalhes mais sem noção

tem muito mais a ver

com registrar sonhos

do que controlar a realidade.

Sim,

agora tenho sonhos.

Devo ter reaprendido com você.

Devagar

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Numa vida

que é roda gigante

amadurecer

é a arte

de rodar mais devagar.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Céu voltará para trás

j 

O Professor explica o tempo


“FILHO”, disse, “no seu atual estado você não tem como compreender a eternidade: quando Anodos olhou pela porta da eternidade ele não retornou com mensagem alguma. Mas você pode ter uma idéia dela se disser que tanto o bem quanto o mal, quando plenamente desenvolvidos, se tornam retrospectivos. Não somente este vale, mas todo o passado terreno deles terão sido um Céu para os que são salvos. Não apenas o crepúsculo naquela cidade, mas toda a vida na Terra será vista, então, pelos perdidos, como um Inferno. É isso que os mortais interpretam mal. A respeito de um sofrimento temporário eles dizem: ‘Não há bem-aventurança futura capaz de compensar isso’ – sem saber que o Céu, uma vez alcançado, terá efeito retroativo, tornando em glória até mesmo essa agonia. E quando se trata de algum prazer pecaminoso, dizem: ‘Deixe-me gozar só isso, e assumirei as conseqüências’ – sem ter a mínima noção de como a condenação terá efeito retroativo sobre o seu passado, contaminando todo o prazer trazido pelo pecado. Ambos os processos têm início até mesmo antes da morte. O passado do homem bom começa a modificar-se de forma tal que os seus pecados perdoados e sofrimentos lembrados passam a assumir o gostinho do Céu; o passado do homem mau já se conforma à sua maldade e se enche só de miséria. É por isso que no fim de tudo, quando o sol nascer aqui e o crepúsculo lá embaixo se transformar em trevas, os Abençoados dirão: ‘Jamais vivemos em outro lugar que não fosse o Céu.’ E os Perdidos dirão: ‘Sempre estivemos no Inferno.’ E ambos estarão dizendo a verdade.”
– de The Great Divorce [O Grande Abismo]


Retirada de Um Ano com C. S. Lewis (Editora Ultimato, 2005).

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Horizontes

 

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Símbolos assemelham-se a horizontes.
Horizontes: onde se encontram eles?
Quanto mais deles nos aproximamos, mais fogem de nós.
E, no entanto, cercam-nos atrás, pelos lados, à frente.
São o referencial do nosso caminhar.
Há sempre os horizontes da noite e os horizontes da madrugada...
As esperanças do ato pelo quais os homens criaram a cultura,
presentes no seu próprio fracasso,
são horizontes que nos indicam direções.
E esta é a razão pela qual não podemos entender uma
cultura quando nos detemos
na contemplação dos seus triunfos técnico-práticos.
Porque é justamente no ponto onde ele fracassou
que brota o símbolo,
testemunha das coisas ainda ausentes,
saudade de coisas que ainda não nasceram [...].

Rubem Alves

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Epifania

comp

As pessoas nos surpreendem às vezes.

Vão além do que se acredita.

Aí ocorre uma epifania de verdade...

encontra-se finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora se consegue enxergar a imagem completa.

Mas isso só acontece porque se presta atenção.

Nota-se.

Só quem realmente se importa começa a enxergar.

E vendo onde se está é mas fácil de assumir o controle.

Ta aí uma coisa que nunca busquei, nunca quis de verdade.

Talvez no meu propósito acabe me rendendo essa farpa.

Mas, acredite, nunca se está no controle de verdade.

A chave na maior parte das vezes é confiar, arriscar, jogar no escuro.

Sorver... desconstruir e como fazem os mais corajosos destruir para reconstruir.

sábado, 2 de outubro de 2010

Como a Lua…

luafases

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Lua Adversa, Cecília Meireles

Quero ser compartilhada

 compart

....os momentos até podem ser compartilhados,
cada pessoa nos compreende de uma certa maneira.
Mas, algo aqui em mim, se inquieta,
não quero ser compreendida, ou até aceita.

Quero ser compartilhada.

Algo natural, quase sem querer…
Que venha, e fique ou não, mas que intensamente
me devore.
E me mostre como me penetrar sem me invadir.
Leve, simples…Pólen e não Mel.

trecho de Pólen: http://ritaloureiro.wordpress.com/