sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Horizontes

 

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Símbolos assemelham-se a horizontes.
Horizontes: onde se encontram eles?
Quanto mais deles nos aproximamos, mais fogem de nós.
E, no entanto, cercam-nos atrás, pelos lados, à frente.
São o referencial do nosso caminhar.
Há sempre os horizontes da noite e os horizontes da madrugada...
As esperanças do ato pelo quais os homens criaram a cultura,
presentes no seu próprio fracasso,
são horizontes que nos indicam direções.
E esta é a razão pela qual não podemos entender uma
cultura quando nos detemos
na contemplação dos seus triunfos técnico-práticos.
Porque é justamente no ponto onde ele fracassou
que brota o símbolo,
testemunha das coisas ainda ausentes,
saudade de coisas que ainda não nasceram [...].

Rubem Alves

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