terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Longe e Perto



Ah!
Suas palavras estão distraídas...
As minhas, silenciosas...
O olhar cúmplice, cadê?
O afago na cabeça,
a mudez que indica conhecer a sensação da ausência
em mares dantes navegados?

Ah...
Quando todo o cansaço se manifesta
e  a cabeça repousa,
a alma teima em borbulhar num nascedouro,
impulso de esperança,
esguicho de conforto
na lágrima que jorra...
Sopro regado,
garganta escancarada,
olhos cansados,
dia novo a raiar...

Ah!
Fluir constante e ininterrupto
Uma fricção diária (de uma década, duas... ou mil anos)
Longe ... e perto – intimamente perto –
numa jornada de mil passos
daquelas que se faz sem sentir,
sempre à frente de forma suave e inabalável.
Sim, existimos...
Sobrevivemos e vivemos
como lembranças, presenças e encontros.

Ah... amamos e somos amados...
incondicionalmente por Ele,
constantemente pelos que juntos atravessaram,
num até breve ao outro -
enquanto ainda longe dos céus.

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