De tudo um pouco mais, ainda que sem exageros
As cores, os sabores e os
cheiros
Muito trabalho, pouco descanso, quase nenhum dinheiro
A fé, a
esperança, o desespero
No culto, na igreja, na devoção do romeiro
O pé de
bode, cara de santo e o sangue do cordeiro
Nos tambores da macumba que
ressoam no terreiro
Na cadência do samba, o toque do pandeiro
O ritmo que
rege, é carnaval o ano inteiro
Terra seca, caatinga, céu de brigadeiro
O
mormaço da solina quem refresca é o aguaceiro
Água fresca goela abaixo, o
conforto do sombreiro
A menina traquina com seu jeito faceiro
A ginga, a
mandinga, do menino matreiro
Se arrasta, rasteja, corre ligeiro
A muvuca,
a algazarra, o paradeiro
A chama que inflama, o coração do guerreiro
O
pintor, o poeta, o habilidoso carpinteiro
Muita cachaça, farinha pouca, meu
pirão primeiro
As dores, os amores, o suspiro derradeiro
De todo o resto,
de você mais que um inteiro
Um pouco menos de mim mesmo para ser um pouco
mais humano. Talvez...
[Roberto Pazos]
http://lostsamuraix.blogspot.com.br/
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