quarta-feira, 11 de abril de 2012

Excesso

De tudo um pouco mais, ainda que sem exageros
As cores, os sabores e os cheiros
Muito trabalho, pouco descanso, quase nenhum dinheiro
A fé, a esperança, o desespero
No culto, na igreja, na devoção do romeiro
O pé de bode, cara de santo e o sangue do cordeiro
Nos tambores da macumba que ressoam no terreiro
Na cadência do samba, o toque do pandeiro
O ritmo que rege, é carnaval o ano inteiro
Terra seca, caatinga, céu de brigadeiro
O mormaço da solina quem refresca é o aguaceiro
Água fresca goela abaixo, o conforto do sombreiro
A menina traquina com seu jeito faceiro
A ginga, a mandinga, do menino matreiro
Se arrasta, rasteja, corre ligeiro
A muvuca, a algazarra, o paradeiro
A chama que inflama, o coração do guerreiro
O pintor, o poeta, o habilidoso carpinteiro
Muita cachaça, farinha pouca, meu pirão primeiro
As dores, os amores, o suspiro derradeiro
De todo o resto, de você mais que um inteiro
Um pouco menos de mim mesmo para ser um pouco mais humano. Talvez...
[Roberto Pazos]

http://lostsamuraix.blogspot.com.br/

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