Explorando o exemplo do canto, Agostinho mostra como o ato de cantar revela o que ocorre em “todas as ações do homem” (Confissões XI):
“Vou entoar uma canção que conheço. Antes de iniciar, minha expectativa se
estende totalmente, mas quando começar, tanto quanto eu tiver tirado da
expectativa, também minha memória se estende, e a vida desta minha ação se
distende na memória (em razão do que cantei) e na expectativa (em razão do que
cantarei). Minha atenção também está ali, presente, pela qual o que era futuro
é arrastado para tornar-se passado. E quanto mais isso acontecer e acontecer, a
expectativa será abreviada e a memória será prolongada, até que toda a
expectativa seja consumida, quando toda a ação terminada houver transitado para
a memória. E o que ocorre na canção toda também ocorre nas suas partículas
singulares, e o que ocorre nas partículas singulares também ocorre na ação mais
longa, da qual talvez aquela canção seja uma partícula, e o mesmo em toda a
vida do homem, das quais são partes todas as ações do homem.”
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