Senhor, tão absorvida estive em cuidar daqueles que me entregaste, que me esqueci de preparar o Teu presente de aniversário. Agora aqui estou, as mãos vazias, calosidades e manchas, indeléveis algumas. O sofrimento dos que colocaste em meu caminho atingiram-me, marcaram-me, fizeram-me sofrer. Dei-lhes meu tempo, minha força, meus bens e meu amor.
Mas agora, Senhor, quando o mundo Te vê pequeno e dependente no presépio de Belém, sinto também um grande desejo de trazer-Te um presente. Sinto-me como no tempo de criança, quando mamãe e papai faziam anos: triste e alegre. Alegre por ser dia de festa, triste porque nada possuía além de algumas moedas de metal no pequeno cofre de madeira, e, então, eu não podia transformar em algo concreto o meu amor.
E agora, no Teu dia, Senhor, nem mesmo resta o velho cofre. Apenas esta vontade de Te agradar, de dizer Te amo, de pedir perdão pelas mãos vazias.
Se ao menos pudesse trazer-Te todos os sorrisos que vi nascer; todas as lágrimas que desapareceram de rostos cansados porque ouviram falar de Ti; todas as flores que recebi porque estava executando uma ordem Tua...
Mas não. Estas pequenas preciosidades transformaram-se em saudade e gratidão. E sentimentos não podem ser traduzidos em caixa de presente, amarrada em cordões coloridos.
Por isso é que, no Teu dia de festa, duas mãos cansadas se erguem para pedir que se encha de novas bênçãos e que lhes dês novas oportunidades de servir, pois que, nada tendo para oferecer-Te, quero sair outra vez proclamando Teu poder e Tua bondade.
Quero ser aquela que leva o recado, que executa tarefas humildes que procura retribuir com trabalho servil a bênção de ser admitida entre aqueles que servem a um Deus.
Myrtes Mathias